Denúncia: Áudios Revelam Uso de Fiéis da Igreja Universal como Cabos Eleitorais nas Eleições 2024

Investigações recentes do portal Intercept Brasil trouxeram à tona gravações secretas que detalham uma operação coordenada pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) para transformar fiéis e obreiros em cabos eleitorais. A estratégia, comandada por bispos e pastores na Bahia e em outros estados, visava eleger candidatos do partido Republicanos durante o pleito municipal de 2024.

A Estratégia “Invisível”: O Plano da Universal para Angariar Votos

As gravações revelam que o comando da igreja, liderado pelo bispo Sergio Corrêa na Bahia, instruiu pastores a utilizarem a estrutura dos templos para identificar a “radiografia eleitoral” de cada região. O objetivo central era evitar a vitória de candidatos do PT e pavimentar o caminho para pautas conservadoras.

Como funcionava o esquema de cooptação:


  • Listas de Transmissão: Obreiros deveriam criar listas no WhatsApp com “20 amigos ou familiares” que não fossem da igreja.



  • O “Amigo” em vez do “Político”: A orientação era nunca apresentar o candidato como um político da igreja, mas sim como um “amigo de princípios e caráter” que faz trabalhos sociais.



  • Uso de Grupos Sociais: Projetos como Força Jovem, Calebe (idosos) e Universal nas Forças Policiais foram convocados para integrar a campanha através do projeto “Me Dê a Mão”.



O Papel do Partido Republicanos e Tarcísio de Freitas

A máquina de votos da Universal não mira apenas o legislativo municipal. Segundo as apurações, a articulação atual foca na pavimentação da candidatura de Tarcísio de Freitas (Governador de SP) à Presidência da República.

O Republicanos, partido ligado à cúpula da igreja e presidido pelo bispo Marcos Pereira, apresentou um crescimento exponencial em 2024, dobrando o número de prefeitos eleitos e consolidando-se como uma das maiores forças do campo conservador no Brasil.


Abuso de Poder Econômico e Religioso?

Especialistas em Direito Eleitoral alertam que o uso da infraestrutura bilionária da IURD — que inclui a TV Record, o Grupo Arimateia e mais de 10 mil templos — pode configurar abuso de poder econômico.

“Se a estrutura é utilizada para controlar o voto, monitorar títulos de eleitor e coagir fiéis sob o pretexto de ‘guerra espiritual’, entramos em um campo de crime eleitoral”, afirmam juristas consultados.

Táticas de monitoramento reveladas nos áudios:


  1. Pente-fino nos Títulos: Pastores eram orientados a dedicar 15 minutos das reuniões espirituais para checar a regularidade do título de eleitor dos fiéis.



  2. Vídeos “Fake” de Reclamação: Em Fortaleza, fiéis foram instruídos a gravar vídeos denunciando problemas urbanos (lixo, falta de luz) sem usar roupas da igreja, fingindo serem cidadãos comuns para que candidatos da Universal pudessem “resolver” o problema na TV Record.



Conclusão: Religião e Política no Brasil

A revelação desses áudios coloca em xeque a separação entre Estado e religião na prática eleitoral brasileira. A mistura do discurso de “vitória de Jesus” com a conquista de cargos públicos demonstra como a fé tem sido utilizada como ferramenta de gestão partidária.

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